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24
Jul

Gasto das famílias com juros sobe


As famílias brasileiras gastaram, no ano passado, R$ 354,8 bilhões com o pagamento de juros aos bancos, o que representa um aumento real, ou seja, já descontada a inflação, de 17,9%. Mais do que isso, esse montante foi a maior despesa das famílias, segundo levantamento feito pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). Quando se consideram também os gastos das empresas, o serviço da dívida consumiu R$ 475,6 bilhões no ano passado, um incremento de 11,8% — apesar de ter sido um período de queda da taxa básica da economia, a Selic.

Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomércio-SP, explica que o crescimento das despesas com os juros reflete não apenas as operações realizadas em 2017, mas aquelas concedidas antes, quando a Selic ainda não havia começado a cair, e a economia estava na fase mais aguda da recessão, o que levou os bancos a cobrarem mais de quem precisava de dinheiro.

— Uma série de fatores influencia a taxa que é cobrada. Uma delas é o risco que os bancos dão a uma operação, o que aumenta em momentos de incerteza. Como tivemos uma recessão grande, esse risco de não pagamento aumentou, o que foi colocado dentro da taxa de juros — explicou. ‘PERSPECTIVA NÃO É DE QUEDA’ A Taxa Selic começou 2017 a 13,75% ao ano e chegou em dezembro a 7%. Atualmente, está em 6,50%, seu menor patamar histórico.

Na avaliação de Carvalho, os gastos das famílias com juros devem continuar em alta, uma vez que a concorrência bancária no país é baixa. Como o crédito é escasso, os bancos podem cobrar mais pelo seu produto. Ele lembra que o montante que as famílias pagaram de juros no ano passado supera os R$ 291,3 bilhões que os brasileiros gastaram com alimentação fora de casa. A cifra também supera os R$ 154,3 bilhões dos gastos com transporte urbano e os R$ 129,9 bilhões pagos em aluguel. Em 2017, as despesas com juros absorveram 10,8% da renda das famílias, contra 9,5% no ano passado.

Já entre as empresas, os gastos com juros no ano passado foram de R$ 120,8 bilhões, uma queda de 3%. Isso indica a retração no ritmo da atividade, o que inibiu a tomada do crédito.

Para reduzir o peso dos juros na renda das famílias e das empresas, seria necessário haver a conjugação de três fatores: o crescimento do emprego, o que reduziria a percepção de risco por parte dos bancos; o aumento da renda disponível; e a maior oferta de crédito. Essa é a avaliação do professor Silvio Paixão, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi):

— A perspectiva não é de queda, porque a renda das pessoas não aumentou. Elas então precisam fazer uso do crédito e, como não há espaço para amortizar essa dívida, acabam renovando essas operações.

Para chegar aos R$ 475,6 bilhões, a Fecomércio considerou e ponderou uma série de fatores, como o estoque de crédito com recursos livres (que os bancos podem aplicar em qualquer finalidade), as concessões durante 24 meses e as taxas de juros informadas pelas instituições financeiras ao Banco Central.

Fonte: O Globo